Presidente da Bolívia busca autorizar militares a desbloquear rodovias

 

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou nesta quarta-feira uma proposta de lei para "fortalecer" a atuação dos militares em um eventual estado de exceção contra os bloqueios e protestos que exigem sua renúncia. O anúncio ocorre um dia após a renúncia do ministro da Defesa.

Paz enfrenta há mais de um mês manifestações e bloqueios de estradas realizados por camponeses, operários, mineiros, transportadores e professores, que inicialmente pediam uma solução para a pior crise econômica do país em quatro décadas e agora exigem sua saída do cargo.
Proposta de lei e estado de exceção

Durante um ato em que apresentou o novo ministro da Defesa, Ernesto Justiniano, Paz afirmou ter enviado ao Congresso um projeto para regulamentar o estado de exceção. Acrescentou que não descarta decretá-lo em breve diante do agravamento da crise. O projeto de lei buscará "fortalecer, neste caso específico, nossas Forças Armadas em sua atuação", declarou Paz.

O presidente não apresentou motivos para a renúncia de Mauricio Salinas ao cargo de ministro da Defesa, confirmada na terça-feira à AFP por uma fonte do governo que pediu anonimato. Paz reiterou seus apelos ao diálogo, mas também busca abrir caminho para a participação das Forças Armadas no desbloqueio das estradas ao classificar essa ação como uma medida "humanitária". Ele não detalhou o conteúdo do projeto de lei.

Na semana passada, o Congresso anulou uma lei que exigia que o presidente obtivesse sua aprovação para decretar um estado de exceção, o que também lhe permitiria restringir liberdades de reunião e de circulação, essenciais para a realização de manifestações. "A tarefa imediata é recuperar a normalidade (...). O diálogo está sempre aberto, mas aqueles que se recusam a dialogar não podem paralisar o país", advertiu o novo ministro Justiniano, ex-chefe da política antidrogas.

Os bloqueios provocaram uma grave escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis, sobretudo em La Paz, sede do governo, e na vizinha El Alto. Segundo o governo, sete pessoas morreram por não terem recebido atendimento médico a tempo. Em algumas áreas de La Paz, o lixo está se acumulando e filas de veículos se formam nos postos de combustível. Alguns motociclistas passam a noite em barracas para se proteger do frio.

O governo de Paz denuncia que setores dos manifestantes buscam "alterar a ordem democrática" e acusa o ex-presidente socialista Evo Morales (2006-2019), foragido em um caso de suposto tráfico de uma menor, de liderá-los.

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