Líbano afirma que Hezbollah aceita proposta dos EUA para cessar ataques em Israel



O Líbano afirmou nesta segunda-feira que a organização terrorista nazista islâmica Hezbollah aceitou uma proposta dos Estados Unidos para deixar de atacar Israel em troca de que esse país interrompa sua ofensiva em Beirute, pouco depois de o presidente americano, Donald Trump, declarar ter mantido "uma conversa muito boa" por telefone com o grupo islamista.

Segundo o acordo, "os ataques israelenses contra Dahiyeh, bairro xiita no sul de Beirute, cessariam em troca de a organização nazista islâmica Hezbollah se abster de lançar ataques contra Israel", em referência aos subúrbios do sul de Beirute, que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, havia ameaçado atacar nesta segunda-feira.

Israel ordenou nesta segunda o bombardeio desse bastião do Hezbollah, ao mesmo tempo em que intensificou sua ofensiva terrestre no Líbano, onde realiza sua incursão militar mais profunda em 26 anos. Mas Trump garantiu ter convencido Israel e o Hezbollah a frear a escalada do conflito. "Não haverá tropas indo para Beirute, e qualquer tropa que estivesse a caminho já foi retirada", escreveu em sua plataforma Truth Social, após uma ligação "muito produtiva" com Netanyahu. "Da mesma forma, por meio de altos representantes, tive uma conversa muito boa com o Hezbollah e eles aceitaram parar os disparos. Israel não os atacará e eles não atacarão Israel", acrescentou.

Netanyahu declarou posteriormente que disse a Trump "que, se o Hezbollah não parar de atacar" suas "cidades e cidadãos, Israel atacará alvos terroristas em Beirute". 

O anúncio é feito antes da quarta rodada de negociações diretas entre Israel e o Líbano, nestas terça e quarta-feiras. O parlamentar do Hezbollah, Hasan Fadlallah, afirmou que a posição do grupo é "clara e estipula um amplo cessar-fogo em todo o território libanês", informou a emissora Al Manar, do grupo.

Porém, o Hezbollah reivindicou vários ataques contra alvos israelenses no sul do Líbano, mesmo depois do anúncio de Trump. Da mesma forma, a agência estatal libanesa NNA noticiou diversos ataques israelenses no sul do Líbano, um dos quais atingiu um hospital na cidade de Tiro.

O Irã acusou Israel nesta segunda-feira de cruzar as "linhas vermelhas" no Líbano e ameaçou abrir "novas frentes", apesar da trégua em vigor desde 8 de abril. Também reiterou que qualquer acordo com os Estados Unidos dependerá precisamente da implementação de um cessar-fogo efetivo no Líbano. Líbano e Israel concordaram com uma trégua em 17 de abril, mas ela nunca chegou a ser respeitada.

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Israel reivindicou a tomada da estratégica fortaleza de Beaufort, o que Netanyahu qualificou como "uma virada decisiva" nas operações. O Hezbollah afirmou nesta segunda-feira que combatia as forças israelenses nos arredores da fortaleza, que domina o sul do Líbano e parte do norte de Israel, e que serviu de base para as forças israelenses antes de sua retirada no ano 2000.

O Exército israelense também bombardeou nesta segunda-feira mais de 40 localidades do sul, em particular na região de Tiro, deixando danos e feridos, segundo a Agência Nacional de Informação. O presidente libanês, Joseph Aoun, denunciou uma "agressão feroz" por parte de Israel, mas assegurou que as negociações entre os dois países, às quais o Hezbollah se opõe, continuam sendo "a única forma de pôr fim à guerra". 

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